sexta-feira, 6 de maio de 2011

“Terrorismo” contra os Estados Unidos da America. “A culpa é de quem? Quem...”



Antes de começar com a exposição de 1 Co, deixem-me tecer em algumas linhas minhas intuições sobre essa interminável questão do terrorismo e da briga EUA e Bin Laden.


Há alguns (poucos) anos, na minha adolescência, gostava muito de um grupo de rock que despontava no cenário da música brasileira. Em uma de suas canções, o vocalista, repetidamente, perguntava: “A culpa é de quem? Quem, a culpa é de quem?”; e repetia em toda a canção: “quem, a culpa é de quem?”.

O mundo todo acompanha nesses dias o fim da saga “Bin Laden x EUA”, que terminou seu primeiro capítulo da série – a história não vai parar por aí – com a imagem do presidente americano de pé diante dos microfones e câmeras: “Osama Bin Laden is dead”. Esse pronunciamento foi esperado desde o episódio de 11 de setembro – data tão repetida e anunciada que antes nos esquecemos do aniversário da nossa mãe do que da derrubada das “torres gêmeas” do World Trade Center, em Nova York, símbolo da ostentação capitalista!

Tudo bem, qual quer um seria um insano se não se revoltasse com aquela catástrofe. Não senhores, eu não acho que aquele ato foi louvável, ou até mesmo tento buscar legitimação no discurso anti-imperalista para aquela barbárie. Rechaço, critico e qualifico como desumano, demoníaco (no sentido que quiserem dar: teológico, psicológico, antropológico...) a morte daqueles inocentes. Quem fez aquilo, seja a Al Qaeda, com ou sem a ajuda de sorrateiros interesses (segundo o documentário Fahrenheit 11 de Setembro, de Michel Moore, algumas empresas ligadas ao império Bush lucraram com o atentado), deve receber as punições legais e de direito. A insatisfação, sem dúvida, é coletiva. No entanto, depois de tudo que li, a primeira coisa que me vem à mente é aquele refrão da musica da minha adolescência, “a culpa é de quem?”. Em um artigo do Leonardo Boff, disponibilizado pelo blog de Luiz Nassif, é citado o bispo Robert Bowman, um ex-piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã, que disse o seguinte, na sua carta aberta ao Presidente: “Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas”.

Não precisamos ser historiadores treinados para sabermos que Washington  financiou, motivou, incentivou, bancou, e todos os “ou” que geram ações, muitos golpes militares e ditaduras, inclusive o nosso “golpe de 64”! Por causa dos interesses econômicos, e o Wikileaks está aí para provar, o Império Americano matou, torturou e aterrorizou países inteiros. Aquela guerra no Iraque foi uma vergonha! Até o mais conservador do mundo, tem de admitir que Bush, visto como ignorante pela crítica americana, conseguiu levar na lábia da retórica quase o mundo inteiro. O tempo todo ele, com aquela cara de pastel, dizia: “Terror”, “terror”, “guerra contra o terror”, “terror”, “terror”. Todos sabem, os EUA são a nação mais política e economicamente terrorista do mundo !

Quanto dinheiro não lucrou o Tio Sam com as guerras no Sudão, tudo por causa do maldito petróleo! E mais, os mesmos “homens da base” (Al Qaeda) estiveram lado a lado de Washington contra a União Soviética, no período da Guerra Fria, no Afeganistão. O mesmo Laden que eles agora mataram, foi amigo íntimo dos “democratas” americanos em outras décadas! E o que dizer das relações econômicas da família Laden e os Bushs? A primeira empresa de petróleo de George W. Bush, a Arbusto, foi financiada pela corporação do (ex?) líder do grupo da Al Qaeda.

Washington criou o terrorismo, o alimentou, deu bases para ao seu ódio, deu armas e treinamento. O hipócrita governo americano criou a Al Qaed no contexto da guerra fria! Usou-a, como tem usado, em toda a história, países e seus movimentos internos, para seus interesses globais. No fim, quem sai perdendo é sempre a população, que sofre entre os pólos de interesses, e nunca as grandes corporações que se alimentam das desgraças mundiais, como a Carlyle Group - que já reuniu em um mesma mesa de negócios Bushs e Ladens. Então, “A culpa é de quem... Quem, a culpa é de quem?”.

6 comentários:

  1. Você poderia apenas ter escrito "Torres Gêmeas, símbolo da ostentação capitalista", e já saberíamos tudo o que pensa sobre os EUA, o resto é "circunlóquio" dessa frase.

    Isso ae, assim como o Tsuname no Japão e do Oceano Índico em 2004 também é culpa dos EUA.

    Fazemos então a seguinte análise: Carrancudo e ambicioso, ele gasta suas noites traçando planos meticulosos para tentar conquistar o mundo, o rato(EUA).

    Completamente infantil, abobalhado e beira os limites da idiotice, e geralmente acaba fazendo alguma coisa que irrita os EUA está o rato "Aliado", que pode ser Al Qaeda, O Golpe de 64 e outros.

    Nos raros momentos em que demonstra qualquer afeto ou deixa suas ambições de lado, o rato EUA, valoriza ao máximo sua amizade e estima pelo rato "Aliado". Mas que no final de tudo está o desejo de conquistar o mundo!

    Isso mesmo, Kenner acredita que série americana animada de televisão, Pink e o Cérebro é o retrato da política norte americana.

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  2. Olá Geovan,

    seu comentário foi tão nebuloso que não é possível expendê-lo. Não sei se dialogou polemica ou afirmativamente. Você citou algumas informações do próprio texto e não foi claro em sua argumentação. Caso eu tenha entendido, e cito alguns comentaristas do meu Facebook que entenderam o que escrevi e fizeram suas colocações, eu não disse que os EUA estão querendo dominar o mundo, pois isso eles já o fezeram em termos culturais e econômicos, mesmo que o quadro esteja mudando. Sobre 64 e Al Qaeda, recomendo algumas leituras sobre o assunto, e depois você poderá tirar suas próprias conclusões...
    Caso não tenha tempo para leituras mais técnicas sobre o golpe de 64, as guerras da África e a origem da Al Qaeda e o Afeganistão, procure algumas paginas na net nas quais encontrará algumas informações que servirão para sua melhor análise, tais como “historia Viva”, “Carta Capital”, “Blog do Miro”, “The Guardian”,
    Sobre os desastres que você citou, acho que não tem seu lugar neste texto, pois são causas completamente diferentes. Mesmo que a economia, como dizem alguns analistas, também tem sua participação nas questões ambientais e em alguns desastres. Mas não há espaço aqui para expor sobre isso aqui. Sobre o “Pink e cérebro” acho que é resumo do como você leu mo texto, acho que não falei em teoria de conspiração, não creio em iluminates e coisas desse tipo, mas sim em resultados danosos por consequência de irresponsáveis e desumanas políticas mundiais.

    abraço.

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  3. Olá Kenner,

    A grande questão e que me inquieta é o pano-de-fundo, pois criticar EUA e Israel está em voga, rende. Não obstante os fatos que corroboram a isso, o que nos preocupa é onde queremos chegar e com quem estamos indo... Sei de sua decisiva escolha e falo de fato isolado.

    À primeira vista, na crítica, o lado escolhido não fica oculto e enaltece o ponto cego, impregnado na mente coletiva, bem construído e a mostrar o outro lado da moeda. Mas, se de um lado ela é César, do outro é Mamom!

    Portanto, ao fazer a crítica – bem exposta e com argumentos indeléveis – digo mais uma vez, a quem estamos agradando ou a quem fornecemos o gás (letal) e armas para a manutenção dessa mesma guerra?! Aos (ex) garotos adeptos da Revolução Cultural, do rock, do liberalismo, da anarquia (os Hippies), da iniciação às drogas (os Beatles e o LSD), simplesmente opositores... A quem?

    Uma olhadela na História e vamos ver terríveis (e bárbaros) imperadores vistos como 'bonzinhos' ao povo de Deus (vide Dario). Afinal, que lado escolheríamos?!

    Noto, confesso, que não é tão fácil como nos parece separar o joio do trigo... e até parece algo de foro íntimo, não fosse a 'arma' para desvendar isso: "Pelo fruto se conhece a árvore".

    Afinal, "a que hora estamos?", indaga o profeta; e eu acrescentaria: Com quem estamos: com o Osama ou com o Obama?!

    Abraço meu nobre intelectual!

    Pastor Mesquita, Antônio

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  4. Tudo bem, serei curto e objetivo. Tentei falar através de metáforas, mas não fui entendido.

    Portanto desde o início fica perspícuo a sua tendência em endemonizar os EUA em todos os aspectos. Quando citei os Tsunamis do Japão e do Oceano Índico em 2004, eu estava ironizando a sua linha de pensamento em achar que tudo de ruim que acontece no mundo é culpa dos EUA. Isso deixou de ser uma opinião, uma crítica, e se tornou uma crença, uma vontade que tem de acreditar que tudo é culpa dos EUA.

    Não podemos acreditar em tudo que lemos, pois em todas as áreas encontraremos sapientes escrevendo livros uns a favor e outros contra ao mesmo assunto, a partir daí você toma certo o lado que quiser.

    Portanto, faço crítica em relação a sua opinião parcial sobre o assunto, tentando chamar os holofotes para si.

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  5. Olá Pr. Mesquita,

    Obrigado pelo comentário e reflexão. O senhor sabe do respeito que tenho por suas opiniões e posicionamentos, não somente por ser um amigo e irmão, mas porque são sinceros e refletem o que realmente crê e vive, diferentemente de muitos que hipocritamente formulam seus discursos para agradar uns e outros, mas no fundo nem sabem mais ao certo no que creem, porque já se perderam nas trilhas na conveniência.

    Bom, sobre o texto, acho que não precisamos escolher entre Obama ou Laden. Tão pouco, criticar por criticar (por desejo de agradar ou cumprir certas agendas de discursos intelectuais) aos EUA ou Israel. Meu posicionamento é simplesmente ocasional, ou seja, olho a ocasião, faço minhas análises e depois construo minhas opiniões. Sim, concordo com alguns amigos próximos ao dizerem que tenho ranhuras com o Tio Sam, mas as tenho por observar algumas atitudes dessa nação nas relações internacionais, que ferem minha fé e princípios de ética social adquiridos na leitura dos profetas veterotestamentários e dos evangelhos. O mesmo aplico à Israel. No entanto, quando leio ou ouço algo sobre o holocausto, por exemplo, sinto grande empatia pelo povo de Israel, não por questões de escatologia, mas por não aceitar a injustiça e desumana ação dos nazistas.

    Por isso, assim como tem alguns intelectuais que ficam cegos em suas reflexões por terem uma agenda para seguir, como bem indicastes, porque “rende”, também alguns pressupostos teológicos, e por que não dizer escatológicos, cegam o olhar crítico em relação aos EUA ou Israel. Não tenho nada contra essas nações, e nem a favor. Antes das atitudes não estou do lado de Laden, nem dos EUA e nem de Israel. Eu analiso as ações, e se são boas ou más, independentemente se fazem ou não parte de um plano maior dentro da escatologia de A ou B, que não passam, na minha opinião, de construto teológico com textos fora de seus contextos.

    Para não afundar no rio da divagação, termino aqui com esse parágrafo. Quando escrevi o texto, simplesmente queria mostrar que por trás desse discurso americano tem muita coisa escondida e o pior é que no fim quem sofre é o povo, que a qualquer momento, estando no trabalho, um avião cheio de loucos fanáticos poderá cair em suas cabeças, e isso seria evitado, talvez, caso o seu país construísse uma relação menos opressora e hipócrita com o Oriente. Al Qaed está certa em fazer o que faz? Não! E os EUA estão corretos na forma como agiram historicamente com as outras nações? Também não! Então a culpa é de quem? Da ganância, do fundamentalismo, do desejo de poder e da falta de justiça. Não importa que seja, se carregar uma dessas expressões em suas ações estou disposto a criticar.

    Grande abraço,

    Kenner

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  6. Olá Pr. Mesquita,

    Obrigado pelo comentário e reflexão. O senhor sabe do respeito que tenho por suas opiniões e posicionamentos, não somente por ser um amigo e irmão, mas porque são sinceros e refletem o que realmente crê e vive, diferentemente de muitos que hipocritamente formulam seus discursos para agradar uns e outros, mas no fundo nem sabem mais ao certo no que creem, porque já se perderam nos trilhos da conveniência.

    Bom, sobre o texto, acho que não precisamos escolher entre Obama ou Laden. Tão pouco, criticar por criticar (por desejo de agradar ou cumprir certas agendas de discursos intelectuais) aos EUA ou Israel. Meu posicionamento é simplesmente ocasional, ou seja, olho a ocasião, faço minhas análises e depois construo minhas opiniões. Sim, concordo com alguns amigos próximos ao dizerem que tenho ranhuras com o Tio Sam, mas as tenho por observar algumas atitudes dessa nação nas relações internacionais, que ferem minha fé e princípios de ética social adquiridos na leitura dos profetas veterotestamentários e dos evangelhos. O mesmo aplico à Israel. No entanto, quando leio ou ouço algo sobre o holocausto, por exemplo, sinto grande empatia pelo povo de Israel, não por questões de escatologia, mas por não aceitar a injustiça e desumana ação dos nazistas.

    Por isso, assim como tem alguns intelectuais que ficam cegos em suas reflexões por terem uma agenda para seguir, como bem indicastes, porque “rende”, também alguns pressupostos teológicos, e por que não dizer escatológicos, cegam o olhar crítico em relação aos EUA ou Israel. Não tenho nada contra essas nações, e nem a favor. Antes das atitudes não estou do lado de Laden, nem dos EUA e nem de Israel. Eu analiso as ações, e se são boas ou más, independentemente se fazem ou não parte de um plano maior dentro da escatologia de A ou B, que não passam, na minha opinião, de construto teológico com textos fora de seus contextos.

    Para não afundar no rio da divagação, termino aqui com esse parágrafo. Quando escrevi o texto, simplesmente queria mostrar que por trás desse discurso americano tem muita coisa escondida e o pior é que no fim quem sofre é o povo, que a qualquer momento, estando no trabalho, um avião cheio de loucos fanáticos poderá cair em suas cabeças, e isso seria evitado, talvez, caso o seu país construísse uma relação menos opressora e hipócrita com o Oriente. Al Qaed está certa em fazer o que faz? Não! E os EUA estão corretos na forma como agiram historicamente com as outras nações? Também não! Então a culpa é de quem? Da ganância, do fundamentalismo, do desejo de poder e da falta de justiça. Não importa que seja, se carregar uma dessas expressões em suas ações estou disposto a criticar.

    Grande abraço,

    Kenner

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