sábado, 2 de janeiro de 2016

Receita para o Ano Novo!


Receitas não servem para facilitar nossa vida. Pelo contrário, instigam-nos a tornarmos “coisa” o indicado no papel: o bolo tradicional, guardado de geração em geração pela matriarca e chefe da cozinha das nossas memórias; o doce incomparavelmente delicioso, como o qual não há outro qualquer igual; ou o prato que se aprende com uma anotação rápida plagiada de qualquer fonte do Google. Receita, com certeza, mais nos desafia do que afrouxa.
Desta forma, falar de receita para algo na vida não poderia ser diferente, será sempre desafiador! Ela nos convida a percebermos melhor detalhes que nos passam despercebidos e esquecermos ou colocarmos nas extremidades da área de nossas preocupações alguns pontos que entronizamos. Ora, não seria exatamente isso que Jesus dos evangelhos sempre fez? Ele o tempo todo exortava seus ouvintes a observarem pessoas, práticas e escolhas não muito valorizadas; como, também, insistia para que deixassem de lado outras que lhes pareciam tão centrais. Rondava-os, na perspectiva do Nazareno, o tempo todo, a possibilidade de soprarem moscas e engolirem camelos.
Contudo, a receita do mestre não era recheada de expressões de autoajuda, como as verborragias dos “passos para a vitória”. O auxílio do receituário de Jesus estava exatamente em não facilitar a nossa vida (porta estreita, caminho apertado etc.). É nesta perspectiva que acredito poder apresentar uma receita para o ano que está às portas e batendo – e mesmo que não abramos ele dará um jeito de entrar.
Para isso, convido o poeta mineiro, Carlos Drummond de Andrade, para me ajudar nesta tarefa. Ele define que o ano que chamamos de novo precisa ser belíssimo, sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido), cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser. 
Ele aponta que deve ser novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior), novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha. Este novo, para o escritor mineiro, é sem precedentes, único e transcendente!

Felizmente, o texto não somente coloca água em nossa boca, ao descrever este Ano que desejamos ter. Pelo contrário, ele lista um conjunto de detalhes em sua receita que devem ser descartados ou colocados em segundo plano por aqueles que esperam esse abençoado 2016: “não precisa fazer lista de boas intenções, para arquivá-las na gaveta; não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas; nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver”.
Para o poeta é muito simples, “para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo”. Ele ainda adverte: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”. 
Para que 2016 seja realmente um ano novo, não adiantam afirmações triunfais de que as coisas serão diferentes, nem resolve fazermos ritos e gritos de empoderamento. Nós é que devemos tornar o próximo ano a realização do Novo que cochila e espera desde sempre em nós. E para isso, basta-nos levarmos a sério a afirmação de Jesus de que odres velhos não suportam vinho novo!

Por isso, crie espaços para novos procedimentos e renovados modos de operação, desde a arte do falar às estratégias das escolhas. Não permita que as mesmas más experiências sejam vivenciadas por caminhos diferentes. Abra sua vida para o que realmente vale a pena, e o evangelho é um (o) indicador excepcional. Perdoe sem reservas, para que novos relacionamentos surjam de antigas relações. Olhe menos para as limitações das pessoas e deixe que suas qualidades te proporcionem momentos de crescimento e aprendizado. Destrone-se e destrua o reino das vontades pessoais (vontade de poder?), porque são odres velhos, e permita que o Senhor e o Seu Reino sejam sempre a novidade e o devir na tua história.
Que 2016 seja um ano Feliz e realmente Novo! 

2 comentários:

  1. Pb José Roberto da Rocha, espero que veja este comentário. Não precisa usar este caminho para mandar mensagens, pode usar meu e-mail (krcroger@gmail.com). Que bom que te proporcionei um momento de felicidade na virada deste ano. Deus te abençoe.

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  2. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
    é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita
    Ficarei radiante,mas se desejar seguir, saiba que sempre retribuo seguido
    também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
    Sou António Batalha.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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